terça-feira, outubro 27, 2015

Alheado o lugar no qual me sento,
trivial o lar no qual mal sinto,
e as emoções algo de indistinto
da passagem exterior do vento.

Aninham-se as horas no momento,
abrigam-se de águas que pressinto,
e o próprio existir ante mim minto
para ignorar todo o sentimento.

Mas nuvens pairam como memórias,
carregadas, cinzentas, de histórias
que tristes escorrem às janelas

a falta de terem sido belas -
invadem o silêncio que esqueço,
que nem voz de alguém que não conheço.